Mais e mais fundos e entidades gestoras se posicionam no nosso país. De um universo cada vez mais vasto, os profissionais portugueses elegeram os seus fundos favoritos e os resultados não foram surpreendentes. 

Uma coisa de que o investidor português não se pode queixar é de não ter por onde escolher, pelo menos no que se refere a onde aplicar o seu dinheiro. A realidade em Portugal, se pudermos encarar como referência no mercado os números do regulador relativamente a fundos estrangeiros distribuídos a investidores de retalho, é que o número de estratégias registadas cresceu mais de 50% nos últimos oito anos, de cerca de 1.200 para quase 1.800. Se isto não chega como referência vamos mais longe ainda no tempo e mais além no investimento profissional, e vemos que nas carteiras dos próprios fundos domiciliados em Portugal o volume de ativos alocado a estratégias de entidades gestoras estrangeiras cresceu de 360 mil euros em 2004, para mais de 3.000 milhões em 2020, segundo dados também da CMVM. São muitos os números que podemos destacar para suportar um muito simples argumento: a oferta cresce e é muito vasta. 

Como demonstrava a teoria das compotas, num estudo publicado por dois psicólogos das universidades de Columbia e Stanford – Sheena Iyengar e Mark Lepper – mais nem sempre é melhor. Mais precisamente, estes investigadores argumentavam que quanto maior a escolha maior a probabilidade de acabar por não comprar nada. Contudo, neste contexto em que refiro este estudo, o da disponibilidade de mais fundos de investimento no mercado nacional, mais só poderá significar melhor. Mais oferta implica mais concorrência, menores custos, um encontro mais minucioso entre as necessidades e as soluções… tudo isto no contexto de um mercado em que muitos e bons profissionais prestam o precioso serviço de seleção e aconselhamento destas soluções de investimento a quem não sabe como, não deve ou não tem tempo para gerir os seus investimentos, bem como aquelas pessoas e Instituições que muito valorizam o profissionalismo diligente nacional.

E é precisamente a este conjunto de profissionais que todos os anos a FundsPeople questiona: Quais os seus fundos favoritos? É evidente que o termo favorito tem aqui muitas interpretações, mas é precisamente esse o objetivo deste desafio: que os profissionais do mercado nos destaquem aqueles fundos que lhes surgem no top of mind, que se destacam pelas suas características únicas de gestão, resultados consistentes, processo robusto ou abordagem genial, sejam estes, ou não, veículos nos quais acabam por investir. Esta sondagem é realizada em todos os países em que a FundsPeople tem presença e os resultados agregados resultam, no início de cada ano, na definição da Classificação de Favorito dos Analistas do Selo FundsPeople. A letra A do ABC que define os fundos destacados no universo FundsPeople

As obrigações reinam em 2020

Como resultado deste pedido de uma lista de até 10 fundos de investimento ativos que cumprem os critérios para serem considerados favoritos, 33 profissionais de investimento de 28 casas de gestão de ativos e patrimónios nacionais contribuíram para uma lista que agrega 185 fundos de 75 entidades gestoras. Mais de metade, e à semelhança do ano passado, são fundos de ações, seguidos pelos fundos de obrigações, com cerca de um quarto dos destaques, e fundos alternativos e de alocação com 10% e 12% dos fundos votados, respetivamente. Quando olhamos para os fundos com mais votos os resultados não são muito diferentes. Quatro dos seis fundos mais votados – todos com Selo FundsPeople este ano – são fundos de ações. Ações norte-americanas, globais, japonesas… são muito distintos os universos que orientam as carteiras destes fundos, pelo que não se pode ler algo concreto destes resultados. Com quatro votos, surge também um fundo misto flexível, o único entre estes seis. 

Mas o líder da tabela, com 11 votos, é um fundo de obrigações. Gerido por Ariel Bezalel, da Jupiter Asset Management, o Jupiter Dynamic Bond, fundo de obrigações da entidade gestora britânica, é o líder destacado em 2020 e sobe do segundo lugar no ano passado, ocupando a posição do fundo de ações value europeias da MFS IM, que agrega apenas três votos este ano. Segue-se O Morgan Stanley Us Advantage Fund, da Morgan Stanley Investment Management, com nove votos, e o Fundsmith Equity, da Fundsmith fecha o pódio, com sete votos. 

As casas onde estes fundos nascem e crescem

Já no que se refere às casas mães de todos estes fundos destacados pelos profissionais portugueses são alguns grandes nomes – gigantes até – da gestão de ativos mundial que ganham destaque.

Por número de fundos nomeados, são a BlackRock, Pictet AM e Schroders que ocupam os lugares cimeiros, mas se o critério for o número de votos agregados, a Morgan Stanley IM empurra a Pictet AM para o terceiro lugar, num ranking que continua liderado pela BlackRock. Destaque também para a Jupiter AM, Fidelity, Allianz Global Investors e outras, que ocupam posições de grande destaque por estas métricas genéricas. 

Por outro lado, se separarmos os votos por classe de ativos ou abordagem de investimento, diferentes entidades gestoras emergem como líderes nas diferentes categorias. Em alocação, a BlackRock volta a liderar, enquanto em alternativos, é a vez da Pictet AM ascender ao primeiro lugar. A Jupiter AM lidera o ranking entre os fundos de obrigações, como seria de esperar e, por fim, é a Morgan Stanley IM que supera os seus pares em ações. 

Em termos de fundos e com a mesma repartição por classe de ativos, vemos o Jupiter Dynamic Bond a liderar destacado em obrigações, evidentemente, e o MS US Advantage Funds, nas ações. Em alocação é o FvS Multiple Opportunities II, da Flossbach Von Storch que leva mais votos para casa e, por fim, o BSF European Absolute Return Fund, o DWS Concept Kaldemorgen e o Pictet TR – Atlas, lideram, ex aequo, em alternativos.